A TEORIA, A PRÁTICA E O SEGURADO

É um longo caminho esse entre a teoria – tão propalada pelo meio – e a prática. Tornou-se quase uma mística, um ritual repetitivo, o ato de reunir profissionais corretores de seguros em palestras, treinamentos, campanhas de incentivo e/ou cursos onde as seguradoras vão transmitir orientações ou falar de suas propostas, produtos, números e sugerir ações comerciais e mercadológicas para os corretores de seguros. Deve ser dito, também, que o fazer e o pensar é tão real quanto a própria distância que existe entre ambos. A princípio é uma união que é tratada como algo inseparável, que não difere um do outro, mas não é necessariamente assim que se apresenta de fato.

Dito isso, usarei o próprio produto Seguro e sua relação corretor/segurado para desenvolver melhor o que acabo de afirmar. Por exemplo, as informações técnicas e as características dos produtos e serviços prestado pela indústria seguradora são bastante conhecidas e acessíveis a todos. Mas ainda assim, contrapondo o saber, nem sempre as condições que constituem os produtos são aquelas que o segurado deseja contratar, ou seja, não interessa ou não estimula o consumidor. E é nesse princípio, imaterial e de forte conteúdo psicológico, que um produto revela suas fraquezas e ineficiência na hora da indenização, por exemplo.

Nesta estrada fica claro a precariedade desse desencontro, revelando aspectos institucionais do distanciamento entre o legislador e o consumidor, do produto e sua finalidade, da realidade e dos sonhos e finalmente um contrato de direitos e obrigações que não foi bem contratado. Mas há outro aspecto ainda mais grave, que extrapola questões posta aqui como via de reflexão. Falamos especificamente do profissionalismo, do desconhecimento de muitos quanto a praticar o conhecimento que adquiriu. Voltamos à contextualização acima onde ocorrem os encontros educacionais entre indústria e distribuidores (seguradoras e corretores de seguros) e nem sempre o que está sendo passado para entendimento, utilização ou aplicação será efetivamente colocado em prática porque entre a ela e a teoria existe outro elemento que podemos denominar “Tempo de Experiência”; igualmente necessário e as vezes não desenvolvido.

Todo profissional precisa de tempo, dedicação e interesse para amadurecer o conhecimento e. O mercado de seguros apresenta cerca de 100 modalidades, sendo que cada produto pode possuir condições gerais, especiais e particulares, que devem ser observadas e ser objeto de conhecimento da pessoa que está elaborando o plano de contratação do seguro.  Há ainda outros aspectos e inúmeros detalhes que cada risco apresenta, requerendo ainda mais conhecimento, experiência e equiparação para que o contrato de seguro contenha as condições necessárias para sua plena e total cobertura securitária.

Por último, é importante frisar que o seguro nada mais é que um contrato de risco e que deve ser avaliado com sua devida importância, primeiro pelo corretor de seguros e depois pelo segurado. Se não for bem analisado por ambas as partes pode resultar em uma armadilha, ou seja, no momento do sinistro aparecerá o seu real valor patrimonial, as características que o risco realmente possui e o que o segurado fez diante o acordado, recebendo assim tal cobertura dos seus bens.

Shirtes Pereira

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